Como o Filme “Um Homem entre Gigantes” nos ajuda a debater, em sala de aula, a morte sob a ótica da cultura africana

O filme intitulado Concussion intitulado em português “Um homem entre Gigantes”  lançado em 3 de março de 2016, no Brasil pode ser um ótimo filma para nos mostrar o entendimento da cultura africana sobre a morte, nas sala de aula.

O filme dirigido por Peter Landesman e protagonizado pelo ator afro-americano Will Smith conta a história verídica do patologista forense, Dr. Bennet Omalu, que  tenta conscientizar a opinião pública sobre a  ETC –  encefalopatia traumática crônica – uma doença diagnosticada por ele que causa trauma cerebral em jogadores de futebol americano em decorrência do resultado de choques repetidos na cabeça.

Principais pontos a serem observados:

1. O médico conversa com os mortos a fim de saber o que motivou as suas mortes.

Sim, e isto não tem nada  a ver com bruxaria ou algo do tipo. Trata-se de um médico nigeriano,  Doutor Bennet Omalu,  altamente renomado que se pós-graduou em diversas instituições de ponta estrangeiras nos EUA e na Inglaterra. No caso, ele consegue, nos Estados Unidos apenas um emprego de médico legista e passa seus dias fazendo autópsias. O que chama a atenção de seu chefe e colegas de trabalho é que ele conversa com os cadáveres. Isto pode ser explicado através do conhecimento da Cultura Africana Bantu, em que, a morte não é algo natural, mas causado por algum motivo ou fator. É isto que motiva o médico a buscar explicações para as mortes que vários jogadores da NFL, liga de Futebol Americano.

Dr. Bennet conversando com o cadáver ante ao olhar curioso da assistente

Ao fazer exames minuciosos dos cadáveres e movido por um forte senso de respeito pelo corpo do morto, ele sugere e, mais tarde comprova que os traumas repetidos no cérebro, ao longo dos anos, causam aos jogadores lesões cerebrais que os levam à morte através do suicídio, demência, comportamentos compulsivos, alucinações e dependência de drogas. Não é preciso dizer que sua pesquisa desperta a fúria dos figurões do NFL e toda a trama restante se desenrola através do embate entre os Gigantes do Entretenimento norte americano e um simples médico nigeriano, inteligentíssimo e dedicado, mas que se envolve em uma briga grande de mais.

 

Discordo da resenha do Adoro Cinema que criticou a postura do protagonista que o rotulou como “Caricata, o que demonstra um forte desconhecimento sobra a cultua na qual o ambiente se passa e da cultura africana como um todo, um claro sinal de preconceito assim como os amigos de Bennet que o criticavam na hora das autópsias.

2. As mortes possuem uma causa

O Dr.  Bennet diz claramente  no início do filme que se preocupa mais com a morte do que  com a vida das pessoas e que estas mortes sempre possuem um causa, um motivo, logo um ataque cardíaco acontece por alguma causa ou razão. Aí novamente temos um toque cultural, pois, a morte, de acordo com algumas etnias africanas possui uma causa e as doenças são causadas pela diminuição de energia e coisas do tipo.  Assim, o médico não se prende ao corpo examinado, mas aos fatores de vida e de adoecimento que ele possuía. Como o morto vivia explica  a sua morte.

Agora, deixo com você a tarefa de ver o filme e pensar sobre os fatores que discutimos aqui, existam outros, mas eu gostaria que vocês os comentassem, No mais, assistam este excelente filme com interpretação impecável do Will Smith

 

Júlio César Medeiros é Dr. em Hist. da Ciência e da Saúde pela Fiocruz e Professor de História Contemporânea da UFF/INFEs

Para conhecer mais da cultura africana:

Pesquisa da UFF de Pádua incentiva o ensino da cultura africana

Para ver a critica do filem citada no texto:

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-225176/criticas-adorocinema/

 

 

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